segunda-feira, março 26, 2007



Por cima das árvores

por cima dos prédios

das casas e postes


por cima do mundo todo


o Céu é só

um oceano infinito

ao contrário

onde eu gosto de pescar

algum silêncio e paz
...

quinta-feira, março 22, 2007

Foto: jardim pedras
Cultivo um jardim de pedras
porque elas me ensinam silencio
nesse turbilhão de palavras vãs
porque elas não precisam mentir
para apenas ser


porque apenas são
sem expectativa ou medos


Sem arrebatamentos de alegria
ou devaneios de tristezas


simples pedras em seu inrreconhecido jardim
Pedras são por dentro e fora a mesma essencia


Os homens são líquidos
No entanto
quase nunca fluem


Para dentro de si mesmos
E eu não quero ser assim


...

sexta-feira, março 16, 2007


Onde te escondes
Amiga minha?
Qual teu nome?
Qual tua sina?

Tens em tua fronte
Ferida divina
Que causa-te dor
Que traz-te alegria

Teu corpo quieto
No corpo etéreo
Teu sopro singelo
Teus brandos castelos

Teus quartos brancos
E tantos escuros
Tuas flores chorando
Teus risos florindo
Entre passados e futuros

As mãos ocultando-se
Num ato contrito

Onde estás amiga minha?
Onde? Alma minha?
Onde passeias?
Meu corpo vazio te solicita.
Te quero a mim.

quinta-feira, março 01, 2007



Nada perdura

Sol intenso
noite fria


oscilam
em finitude
entre durezas
e canduras
num reino impermanente


Morro e nasço

sempre
suspenso
por um fio de luz

e hei
de desaparecer!

terça-feira, fevereiro 27, 2007




Pulsa

Em meu efêmero corpo

Corpo-desejo

Pulsa

E meu pulso


É puro

Modo de ser


Pleno

Pulsa

Verdadeiro

Pulso





Uma perturbação duradoura


Teu nome brilha sem fim


Retina e sombra


Flor e salmoura

Dentro de mim


segunda-feira, fevereiro 12, 2007


Meu canto sai da terra
E alimenta o ar
 


Meu pranto no riso encerra

Meu sonho
no olhar espera

Meu corpo
no mundo dança
na dança cansa

Minha alma
a procurar

Fui sol, fui luar
Hoje sou vento

E tal o vento
Invisível e ligeiro
Hei de ficar

Até que Deus deseje
Que eu me torne meu Desejo
E a Ele retorne
Sem cessar


sexta-feira, janeiro 26, 2007


Estamos vivos,presos na voz rouca do tempo.
Náufragos e pétricos,
ainda brincamos à beira do rio de esquecimento.

A memória, senhora da história,
nos observa
guardando em seu colo confuso
todos os nossos sonhos.

As lembranças ensaiam musgos
ao anoitecer de tudo.

Não há morte
Há outro modo de existir.





Já não me surpreendo com a maldade
da maioria dos humanos.

Me surpreendo com a bondade!"



quinta-feira, janeiro 25, 2007


O mundo gira
eu paro
Fico suspenso
fora do tempo/espaço

As coisas giram
por sobre o mundo

Eu, estático

Vejo o tempo
vejo o mundo
vejo o giro

Ainda enxergo
Se girar
morro

Parando
sigo

terça-feira, janeiro 23, 2007


Quem saberá
da luz
seu caminho passado
seu percursso futuro?

Dissipará sombras
por onde ir.

E eu quero
um sol de devaneios
Um vento soprará
nossas sombras
e nossos corpos
de decomporão em luz

Liberdade por dentro da gente


sexta-feira, janeiro 19, 2007


Democracia

Quero o Direito de desistir
De mim mesmo
De você
Do mundo

E recomeçar a ensaiar
Alguma esperança
Quando acordar o dia






Patologia Urbana
A Frebre do Ouro
Cegou-te tanto
Que nem a Ti mesmo
Consegues ver.
Que se dirá
do Outro!






Cada gota
Cai outra
Dos olhos
Ou das nuvens
Quem souber
Assim vê-las
Sempre haverá
De re-nascer!
(foto: Kaibers)

quarta-feira, janeiro 03, 2007


No meio da rua
Uma imagem minha
E uma passagem tua

Um sonho previsível
Um riso irrisível
Um pesar indizível

Estrela de-cadente
Ilusão evidente
Na contramão


Um meio de a rua
Me dar-te
Alheio


segunda-feira, dezembro 18, 2006



Bate o sino
Bate a sina
Sina pequenina
Sina de alguém

Já nasceu
Deus-menina
Já mendiga nas esquinas
Já procura por alguém


Já nascemos
Já morremos
Sina que nos vem!

Paz na guerra
Pede a sina
Para o bem de quem?

Abençoe
Deus-menina
Esse nosso Aquém
!

quarta-feira, dezembro 13, 2006


Des-encontros

No mundo-desencontro
Te encontro
E para meu (filosófico?) espanto
Ao teu encontro
Desencontro-me de mim mesmo.

Ao teu encontro me perco
E perco o encontro (à esmo).
Não perco, porém, o medo
De encontrar o teu beijo
E nele, novamente,
A mim mesmo.

No mundo-desencontro
Te encontro e me perco.
No mundo-desencanto
Canto o desalento
De saber-me encantado
Com teus encantos,
E ver-me fascinado
Ao teu encontro.

No mundo-desencontro
O encontro de dois mundos.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

....




...

Não tem mais volta
Pra quem ja foi
No Mar de sonho

Não tem mais cais
Pra quem navega
No mar de buscar paz

Não me peça pra ser forte
Pois não sei,
Minha força é a minha fraqueza

Pois a força destrói
O que ainda há de beleza.

.


Morra comigo amor

Morra comigo amor.
Ao menos esta noite tão fria e tão crua.
Morra no meu beijo que não tem fundo,
Que não tem mundo e quase finge não ter medo.
Rouba meus últimos segundos de absurdo,
Meu grito surdo, meu gosto suave, meus becos,
Submundos de estrelas e constelações opacas,
Difusas, confusas.
Morra comigo, pelo menos agora, meu invisível amor.
Não me deixe morrer sozinho nesta cama,
Nem morra sozinho entre teus amigos,
Morra com quem te ama!
Que se não morrermos por conta,
Alguém nos matará.
O mundo é violência,
Tenhamos ao menos a decência
De morrer de amor.

Alimento

Vem existência, poesia...
E alimenta minha alma,
Mesmo que por um átimo de segundo
Mesmo que venha eu depois a desfalecer
Como os infinitos mortais deste finito mundo

Tua voz, por vezes me parece
Dar voltas e giros sem se conter
Como que de alegria e tristeza
Igual ao de um distante olhar
Logo inconstante a trilhar
O caminho do perder

Vem poesia
Vem me iludir com teu vinho
Já que louco estou mesmo sem embriagues
Que tua boca-essência me permeie
Essa dor que me mutila, minha insensatez

Vem, e nos juntaremos como num deixar.
Vem, e cearemos com os mortos do mar.
Vem, e cantaremos até o sol acordar,
E me acordar, e te matar.